quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Sempre criei uma relação de amizade e confiança com João Pedro e Maria Luiza, e com o diagnostico do câncer,  achei que fosse certo não esconder deles o que estava acontecendo, depois de pensar na abordagem que usaria com eles, resolvi falar com eles antes que eles os famosos efeitos colaterais da quimioterapia os assuste.
Tentei não me aprofundar no assunto porque eles ainda são muito pequenos e não iam entender bem.
" A mamãe está doente, e vai acontecer um monte de coisas diferentes na nossa vida, vai ter dias que a mamãe não vai estar bem, e vai querer ficar quietinha, o cabelo da mamãe vai cair, mas depois vai nascer um novinho em folha no lugar dele, um monte de gente também tem esse dodói, é um bichinho chato, mas já já ele vai embora. 
João me abraçou e perguntou onde era o dodói , eu apontei o seio com o dedo e ganhei um beijo pro dodói sarar logo...e algumas lágrimas insistiram em cair, Maria me perguntou porque eu tava chorando e eu disse a ela que mamãe era uma bobona por isso chora à toa.
Ganhei um abraço urso, e um beijo estralado e me senti tão completa, e eles não tem noção do bem que me fizeram.
A gente foi conversando, conversando, começamos a rir e falar de um monte de outras coisas legais que poderíamos fazer juntos. E depois quando fui colocá-los para dormir eu percebi que Deus me deu dois filhos mais que especiais que me ensinam tanta coisa sobre a vida apesar de serem tão pequeninos, hoje eu aprendi com eles que apesar de toda a angústia que o câncer traz, é preciso ter uma pouco mais de leveza e olhar de uma criança que está sempre cheio de esperança e amor.



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